sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Perdida Cap 3



-Não é isso...

-Vamos lá Lua, quando você se apaixonou na sua vida ? Nunca!

-Tháta eu já me apaixonei sim, e você sabe disso.

-Lua o cara te traio e você nem ligou!

-Pra que eu vou sofre por um homem ?

-Lua, qualquer ser humano que ama choraria se encontre-se seu namorado pegando sua amiga no meio da faculdade.

-Só que eu não sou todo mundo! -Já disse irritada com o assunto.

-Ta bom eu desisto.

-Você tem certeza que vai dar certo vocês ?

-Não. - Tháta sorriu. - Não tenho certeza. É claro que não! Não se tem certeza de nada quando se esta apaixonada, Lua!

-Ah, se tem sim! Dá pra ter certeza que seu coração será estilhaçado em um milhão de pedaços no final. -Tomei outro gole. Meu copo ficou vazio.

-Lua! Não acontece sempre assim com todo mundo. - ela viu meu olhar e continuou. - Não acontece! Existem pessoas que passam a vida toda juntas.

-A-hã!

-Existe sim. Além do mais, nós ficamos juntos o tempo todo, exceto quando estou trabalhando. Metade das minhas coisas estão na casa dele. Facilitaria muito se morássemos debaixo do mesmo teto, e meu apartamento é maior...

-E a outra metade das suas coisas está na minha casa, eu acho...

   Nos duas olhamos uma pra outra e começamos a rir.

-Eu acho... - comecei cautelosa. - Eu acho que se você vai ficar feliz... Se vai te fazer feliz, eu também fico.

   Ela pulou da cadeira e me abraçou forte.

-Obrigada, Lua! Você sabe o quanto é importante para mim que você goste da ideia. Você é a única que não detesta o Fernando.

   Tháta tinha brigado com seus pais logo depois que se envolveu com Fe.Obviamente, eles também não tiveram uma boa impressão dele e Tháta se recusou a terminar o namoro. Rompeu relações com os pais na mesma época em que perdi os meus - num acidente de carro fatal. Foi um período muito... Ruim. Nós nos apoiamos uma na outra e seguimos em frente. Sendo justa, Fe também me ajudou naquela época. Nem sei o que teria acontecido se eu não tivesse os dois ao meu lado...

-Deixa disso! - eu disse, tentando aliviar o clima, que subitamente ficou mais
pesado. - Vamos comemorar! Não é todo dia que uma amiga vai passar para o lado das seriamente comprometidas.

   Ela me soltou e revirou os olhos.

-Ai, Lua! Às vezes, você fala como se casamento fosse uma sentença de
morte.

   E não era?

   Viver em função de uma só pessoa, como se sua vida apenas tivesse sentido se ela estivesse por perto? Acordar e olhar para a mesma pessoa todo santo dia! Sexo com uma única pessoa pelo resto da vida! Ter que cuidar da casa, do marido, dos filhos, do cachorro, trabalhar... Não era um tipo de sentença de escravidão, pelo menos? Eu não entendia o que levava uma pessoa lúcida a se casar. Se bem que a maioria delas não parecia gozar de sua plena sanidade quando estavam apaixonadas.

-Não é!- ela afirmou, provavelmente vendo a descrença estampada em meu rosto. — Tenho esperanças de que você encontre o cara certo um dia desses, sabia? Já está na hora de viver uma história de amor de verdade e esquecer as dos livros. Acho que vai ser divertido ver como você vai se sair quando se apaixonar pela primeira vez.

-Háháhá sem graça.

-Okay Lua não digo mais nada também.

   Pedimos mais uma dose de qualquer bebida eu só queria me animar e ficar de ressaca amanhã. Me deu uma enorme vontade de ir ao banheiro. Entrei no banheiro lotado e esperei minha vez. Praticamente me joguei dentro do banheiro quando a porta se abriu. Desabotoei rapidamente a calça, me equilibrei meio em pé, meio agachada, não havia condições técnicas pra me sentar ali!e... Ah! O
alívio!

   Foi então que ouvi um “ploct”.

   Olhei para baixo bem a tempo de ver meu celular, com todos os meus contatos, minha agenda, minhas músicas, cair do bolso da calça, boiar por dois segundos e depois mergulhar dentro do vaso sanitário.

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